quarta-feira, 23 de setembro de 2009

ECOTRILHA PARA DEFICIENTES VISUAIS

Por: Valmir Custódio





















Foto: Valmir Custódio/
Lázaro Silva, participante

Deixar o deficiente visual explorar sozinho trilhas pelas matas. Esse é o projeto que o doutor Vagner Sérgio Custódio desenvolve.

O trekking é um esporte que consiste em caminhar por trilhas naturais, desfrutar do contato com a natureza em locais pouco conhecidos. Mas a prática até então era improvável para quem não enxerga. A intenção, é que o deficiente sem o auxilio de uma pessoa que vê, explore a trilha até um determinado ponto e volte. “Quando alguém que vê leva um cego para caminhar, quem explora o ambiente é o vidente e não o cego; o objetivo é que o cego consiga sozinho caminhar em um ambiente natural, sinta segurança e que nenhum vidente o atrapalhe a explorar o espaço”, diz o doutor.

Em uma das experiências, realizada na Mata das Três Rampas, Rosana-SP, os deficientes tiveram que caminhar entre a mata por 800 metros, irem até um mirante e voltarem. Todos eram monitorados por GPS (Global Positioning System), sistema via satélite de posicionamento e localização, onde, se algum deles desviasse da trilha, se perdesse ou algum acidente acontecesse, poderiam ser socorridos rapidamente pelo corpo de bombeiros e alunos do curso de turismo que apoiavam o experimento. Os resultados foram excelentes, “eles tiveram boa orientação espacial e o dia a dia faz com que eles identifiquem coisas sensorialmente como animais mortos pelo cheiro, sentem quando a mata fecha ou abre, som de riacho, largura da trilha, e com o uso da bengala longa identificam obstáculos”. salienta Custódio.


Lázaro Benedito da Silva, 69, deficiente visual parcial, achou muito boa a experiência de explorar sozinho uma mata e deseja fazer novamente; “estamos sendo estudados para uma melhor qualidade de vida”. Para Augusto Ribeiro de Souza, 67, deficiente visual total, que nunca tinha passado por uma experiência semelhante, se sentiu muito seguro, “é bom saber que, sou capaz de explorar sozinho uma trilha”.

Segundo o professor, a tecnologia tem auxiliado muito na independência do cego. O deficiente já tem lugar no mercado de trabalho, porém, a maior dificuldade enfrentada é a falta de opção de lazer. Os locais geralmente não são adaptados, não há tecnologia e as pessoas têm medo de lidar com o cego em ambientes de lazer.

A tese de doutorado intitulada, “Navegação de cegos em grandes distâncias em ambientes naturais com monitoramento remoto adaptado”, que visa uma melhor qualidade de vida para os deficientes foi defendida e aprovada no dia 19 de setembro deste ano na Universidade de Campinas (Unicamp), e um artigo também será publicado na revista internacional especializada em adaptação de atividades físicas, APAQ, “Adapted Physical Activity Quaterly”.

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