Valmir Custódio
O que tem em comum entre galinha, rodovia e caminhão? Isso é o que me perguntava nas viagens pela região de Presidente Prudente. O número dessas aves que vejo nos acostamentos é grande. Como normalmente sítios e chácaras ficam as margens das rodovias, pensava que por esse motivo as bípedes eram encontradas facilmente.
Mas não é somente por este motivo que as aves arriscam suas penas próximas à veículos pesados. O Brasil é considerado um dos países com maior índice de desperdício de alimentos no mundo. Os produtos considerados não comerciais são jogados no lixo em boas condições de consumo. É aquele mamão manchado que se acha feio, a alface com algumas folhas queimadas, a maçã que não está tão redonda e vermelha, tudo que não está bonito para a venda acaba no lixo.
Mas e a galinha?
Um dos principais meios de transporte de grãos e sementes é o caminhão. Muitas vezes o produto é mal acondicionado e se espalha pela rodovia e acostamento. As galinhas por sua vez vão dar uma voltinha e encontram um farto banquete variado entre arroz, milho, soja, trigo e outros.
Imagine a quantidade que se perde em grãos numa viagem de Prudente ao porto de Santos (630km), por exemplo.
Bom para as galinhas e seus donos. Ruim para o brasileiro.

