Véspera de Natal. Dinheiro no bolso, compras, roupa, brinquedos, muita gente e calor para acompanhar tudo isso. Mas o que aconteceu hoje em uma loja no centro de Presidente Prudente foi algo que não consegui digerir no pensamento e me senti um inútil diante da cena e o desenrolar dela.
Uma mãe estava com o filho de aproximadamente sete anos de idade dentro de uma loja de roupas. A senhora que aparentava ter 30 anos só gritava e batia no menino que por sua vez fazia cara de choro e o engolia a seco. "Menino besta, devia ter te deixado em casa, seu idiota", (tapas na cabeça e nuca), "moleque idiota, não tenho paciência com você não" (beliscões, puxões de orelha). Todos olhavam e reprovavam com a cabeça a agressividade da mãe. A revolta tomou conta de mim, fiquei calado e não interferi.
Alguns minutos depois nos encontramos novamente na mesma loja e a agressão não parava. Aí não aguentei e disse: "a senhora já bateu muito no menino, se você não parar vou ser obrigado a chamar a polícia". Pronto, começou o meu problema e o que não entendo até agora. Primeiro que ninguém da loja me ajudou a coibir a mulher, segundo que a mãe me xingou e me ameaçou de tudo que se possa imaginar, e em terceiro e o mais triste, o menino quase me bateu e defendeu a mãe como nunca. O garoto depositou tanta raiva no olhar e nas palavras à mim que não consegui fazer nada a não ser dizer que o estava defendendo. O garoto me respondeu: "eu sou o filho, sou eu que estou apanhando, sai fora daqui", e veio para minha direção agressivo.
Não fui agredido mas deixei de lado e entendi que o problema era mais profundo. Já passou tanto pensamento na minha cabeça para entender o que houve, busquei explicação na psicologia, sociologia, antropologia, e na vida. O que houve realmente não vou conseguir entender plenamente, mas temo toda raiva guardada na criança que um dia será adulto.
